Mesmo com safras recordes no Brasil e nos Estados Unidos e estoques mundiais considerados altos, o preço da soja não caiu como muitos esperavam. Pelo contrário, nas últimas semanas as cotações na Bolsa de Chicago voltaram a subir e os grandes fundos de investimento aumentaram suas apostas na alta do grão. Para o Trader e sócio do Grupo PNM, Renan Kuhn, o cenário mostra que o mercado está mais preocupado com o que pode acontecer nos próximos meses do que com o volume já colhido.
“Os fundamentos da soja são bem baixistas. Temos safra recorde nos Estados Unidos, o Brasil colhendo uma safra muito grande e estoques globais altos. Mesmo assim, o preço não cai. Em Chicago, os preços estão subindo e os fundos aumentaram bastante a posição de compra”, explica.
Segundo ele, o mercado já considerou a grande oferta atual e agora passa a olhar para frente. “O mercado vive de expectativa. A safra brasileira, a safra americana e os estoques altos eu acredito que já são passado. Os fundos estão olhando seis ou 12 meses à frente e enxergando riscos”, afirma.
No Brasil, Renan avalia que dificilmente a soja deve cair abaixo da faixa de R$ 100 por saca na maioria das regiões produtoras. “Eu não vejo muita desvalorização. Talvez fique na região de R$ 100, mas abaixo disso acho bem difícil. Esse valor virou um suporte psicológico forte para o produtor”, diz. Ele compara com o que aconteceu com o boi gordo no ano passado, quando o preço encontrou um nível mínimo e teve dificuldade para cair além daquele ponto.
Além das expectativas futuras, alguns fatores recentes também ajudam a sustentar as cotações. O excesso de chuvas em partes do Centro-Oeste atrasou a colheita e causou perdas de qualidade em algumas áreas. Ao mesmo tempo, regiões da Argentina e do Sul do Brasil enfrentaram calor intenso e problemas climáticos. “Quando o mercado vê clima complicado, isso também influencia e ajuda a segurar os preços”, destaca.
No cenário internacional, as disputas comerciais entre Estados Unidos e China continuam gerando incerteza. Decisões envolvendo tarifas americanas podem abrir espaço para maior demanda pela soja brasileira. “Essa questão das tarifas pode beneficiar o Brasil. Podemos ter uma procura ainda maior pela nossa soja, o que ajuda a manter o preço firme”, afirma.
Para os próximos meses, o clima volta a ser um ponto de atenção. Há expectativa de um novo evento climático que pode afetar a próxima safra na América do Sul. “Tem risco climático pela frente, tem tensão comercial e muita incerteza no cenário global. É isso que o mercado está observando agora”, diz.
Na avaliação de Renan Kuhn, mesmo com oferta elevada, o mercado mostra força. “Apesar de ter muita soja disponível, os preços não estão caindo como se esperava. Em Chicago estão subindo, os fundos estão comprando e o mercado está olhando para frente. Eu vejo um preço sustentado, com um piso forte perto de R$ 100”, conclui.
@pnm.trading
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