A arroba do boi gordo iniciou o ano em trajetória de alta, acompanhando mudanças no cenário de exportação, limitações na oferta de animais e um reposicionamento do mercado financeiro diante dessas variáveis. O movimento vem sendo observado tanto no mercado físico quanto na bolsa, com elevação gradual dos preços nas principais praças do país.
Segundo o zootecnista e consultor financeiro Fabiano Tavares, o ponto de partida foi a redução da cota de compras da China junto ao Brasil.
“Houve uma diminuição relevante no volume autorizado, o que levou os frigoríficos a reverem suas estratégias comerciais no início do ano”, explica.
Diante desse novo cenário, as vendas ao mercado chinês chegaram a ser suspensas temporariamente, enquanto o país asiático elevava suas ofertas. O preço da tonelada, que estava próximo de US$ 5.500, chegou a ser negociado em patamares mais elevados, influenciando diretamente a percepção de valor da arroba no mercado interno.
No Brasil, frigoríficos tentaram pressionar os preços para baixo, especialmente na base paulista, onde a arroba girava em torno de R$ 320. A estratégia, no entanto, encontrou limites na disponibilidade de animais. A oferta de bois confinados é tradicionalmente menor neste período do ano, enquanto os animais de pasto tiveram sua engorda atrasada em função do regime de chuvas, o que postergou o envio para o abate.
“A combinação entre menor volume de confinamento e atraso na saída do boi de pasto reduziu a oferta imediata”, observa Fabiano. Com isso, produtores passaram a reter os animais, movimento facilitado pelo menor custo de manutenção do gado a pasto em comparação ao confinamento.
Sem escala suficiente, parte dos frigoríficos, especialmente os de menor porte, começou a pagar valores mais elevados para garantir abastecimento. Em poucos dias, os preços superaram os R$ 320 e passaram a ser negociados entre R$ 330 e R$ 340 em algumas regiões.
A bolsa de valores reagiu de forma antecipada a esse ajuste. O contrato futuro da arroba do boi saiu da faixa de R$ 317 para cerca de R$ 340, enquanto o mercado físico, medido por indicadores de referência, também registrou avanço, ainda que em ritmo mais gradual.
Apesar de ajustes pontuais no ritmo de abate, como redução de dias operacionais, o volume ofertado segue limitado no curto prazo. O comportamento do mercado indica um período de reequilíbrio entre oferta e demanda, com reflexos diretos sobre os preços da arroba tanto no mercado físico quanto no financeiro.
@fabianotavares0
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