O consumo de roupas, sapatos e acessórios faz parte da rotina de muitas pessoas, mas especialistas alertam que, quando esses gastos ocorrem sem planejamento, podem gerar desequilíbrios financeiros difíceis de perceber. Entre mulheres, esse impacto tende a ser mais significativo devido a pressões sociais, profissionais e culturais relacionadas à imagem.
Diferentemente de despesas fixas, como moradia ou alimentação, os gastos com vestuário costumam ser fragmentados em compras menores e frequentes. Parcelamentos no cartão de crédito e promoções recorrentes contribuem para a sensação de controle, mesmo quando o orçamento já está comprometido.
Em muitos casos, o consumo de imagem é justificado como necessidade profissional ou social. Ambientes de trabalho, eventos e redes sociais reforçam a ideia de que a aparência precisa ser constantemente atualizada, o que leva a decisões financeiras pouco estratégicas.
Para a economista Alessandra Azevedo, o ponto central não é deixar de investir em imagem, mas fazê-lo com consciência financeira. “Quando o consumo não está alinhado à realidade do orçamento, ele compromete objetivos maiores e gera um endividamento que muitas vezes só aparece quando já está difícil de reorganizar”, explica.
Além do impacto financeiro, especialistas destacam efeitos emocionais associados ao endividamento silencioso, como ansiedade e sensação de perda de controle. Como esse tipo de gasto raramente é percebido como problema imediato, a reorganização costuma ocorrer apenas quando a situação já se agravou.
A discussão sobre o tema, segundo especialistas, precisa avançar para o campo da educação financeira e da estratégia pessoal. Planejar compras, entender o próprio padrão de gasto e alinhar consumo de imagem à realidade financeira são medidas que ajudam a reduzir riscos e ampliar a autonomia financeira.
Alessandra Azevedo é economista formada pela PUC-Rio, com pós-graduação em Finanças pelo Ibmec-RJ, e consultora de imagem e estilo, com especializações em Compras Inteligentes e Psicologia do Vestir pela Ecole Supérieure de Relooking. Atuou por 22 anos no mercado corporativo, incluindo uma década em cargos de gestão, com experiência em investimentos, planejamento estratégico e comunicação. Nos últimos anos, passou a atuar na interseção entre imagem, estratégia e consciência financeira, com foco em consumo mais inteligente e funcional.
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