Quando falamos sobre casos de raiva animal, o primeiro pensamento é que afeta cães e gatos. Contudo, essa doença é contagiosa e pode também afetar os bovinos, causando grandes prejuízos para os produtores e pecuaristas. A raiva é uma doença viral que tem como característica o acometimento do sistema nervoso central, sendo que sua evolução é drástica e sempre letal. É uma doença endêmica, transmitida por morcegos hematófagos.
Além disso, é possível que a doença seja transmitida pela saliva (inclusive em mucosas) de animais infectados e por contato com sangue contaminado, tornando assim altamente contagiosa para outros animais. Após esse contato, o vírus afeta principalmente o sistema nervoso central, fazendo com que os animais adquiram, em poucos dias, os primeiros sinais da doença.
Em poucos dias após o contágio, os primeiros sintomas da Raiva Bovina são o isolamento do rebanho, apatia e opacidade da córnea. Além desses, os animais doentes também podem apresentar: perda de consciência, mugido rouco, saliva de forma excessiva, fezes secas e escuras, perda do controle anal, falta de coordenação motora, insensibilidade ao toque, flacidez ou desvio lateral de cauda, dificuldade em deglutir, agressividade e paralisia flácida de membros.
Vacinação é fundamental
Enquanto não existir uma cura ou tratamento para a raiva bovina, a vacina é, sem dúvida, a única forma eficaz de prevenir que a doença se espalhe para o rebanho. Somente com a vacinação é possível produzir anticorpos no animal antes da inoculação do vírus.
O zootecnista Fabiano Tavares, destaca que os principais cuidados com a raiva em bovinos são a vacinação anual obrigatória de todo o rebanho, com um reforço após 30 dias da primeira dose, o monitoramento de sinais suspeitos (alteração de comportamento, paralisia) e a notificação imediata às autoridades veterinárias em caso de animais com sintomas ou mortes suspeitas. “Também é crucial controlar a população de morcegos e notificar a existência de abrigos (cavernas, ocos de árvore), além de, em caso de agressão, procurar assistência médica e observar o animal agressor”, pontua.
Fabiano Tavares destaca que com um bom cuidado no local, somado à imunização vacinal contra a proliferação da doença, a probabilidade de contaminação é baixa.
“Caso observe animais com possíveis sintomas de raiva, como andar cambaleante, salivação, andar em círculos, desorientação, não conseguir manter-se em pé e não conseguir se levantar ou sinais de ataques de morcegos no rebanho, é preciso comunicar imediatamente os órgãos responsáveis”, pontua o zootecnista Fabiano Tavares.
Controle de morcegos hematófagos
É importante controlar a população de morcegos hematófagos nas áreas onde o gado é criado. Na falta de alimento natural, eles atacam os bovinos. Esses mamíferos voadores possuem o vírus causador da raiva em sua saliva, o que os tornam os principais causadores da enfermidade. Geralmente esses animais ficam abrigados em locais mais escuros, como nos galpões que os rebanhos se instalam.
É importante ressaltar que nem todo morcego é hematófago. Existem aqueles que são insetívoros, frugívoras e polinívoros, que não transmitem doenças, ajudam no controle de insetos noturnos, transportam sementes e polinizam plantas, ou seja, são altamente benéficos para o meio ambiente. Por isso, é essencial que o controle de morcegos seja feito de forma seletiva e pelos órgãos responsáveis.
Agrodefesa monitora casos de raiva no Estado
O presidente da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), José Ricardo Caixeta Ramos, destaca que em todo o estado de Goiás, a Agrodefesa realiza diversos trabalhos, dentro do Programa Estadual de Controle da Raiva dos Herbívoros. “É importante salientar que a notificação de casos suspeitos, as ações de vigilância epidemiológica, a vacinação dos rebanhos e o controle de morcegos hematófagos ainda são as principais formas de prevenção e controle”, declara o presidente.
A Agrodefesa reforça, ainda, a importância dos produtores rurais notificarem a Agência por qualquer sinal clínico suspeito da raiva em herbívoros, como bovinos, bubalinos, equinos, muares, asininos, caprinos e ovinos. “A notificação não gera multa, nem penalidade ao produtor. Na verdade ela auxilia o trabalho da Agrodefesa na proteção dos rebanhos, pelo monitoramento da doença. Infelizmente, ainda temos muitos casos subnotificados que não são repassados para nós. Só que é preciso que o próprio produtor entenda que ele precisa colaborar no repasse das informações para auxiliar no controle dessa doença no Estado”, reforça o presidente José Ricardo Caixeta Ramos.
O presidente enfatiza que a prevenção da raiva é uma das prioridades da Agrodefesa, que atua em parceria com órgãos de saúde estadual e municipais, para investigar casos e levar informações de qualidade para a população. E que, ainda, o produtor rural é peça fundamental em todo o processo tanto da prevenção, quanto do controle.
“A raiva é uma doença perigosa e que precisa ser controlada da maneira correta. O produtor rural é nosso parceiro e temos buscado conscientizá-lo cada vez mais da importância do seu papel, especialmente na vacinação e na notificação da suspeita de casos. São ações que vão ajudar a proteger não só os rebanhos, como toda a população. E a Agrodefesa estará sempre de prontidão para sanar essas situações, atuando na defesa sanitária e nos cuidados com toda a sociedade”, finaliza.
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